Ha 1 semana atras eu acordei pro que se tornaria o melhor Dia dos Namorados (e possivelmente um dos melhores dias ponto) que eu ja tive.
9 horas da manha, calor e barraca. Eh foda acampar quando amanhece as 3h30 da manha. Sombra era luxo e pra chegar ate qualquer fonte de agua que nao viesse numa garrafinha (em temperatura ambiente de 25 graus)tinha que enfrentar fila.
A ideia entao era andar ate o banheiro, voltar e fazer cafe da manha no fogaozinho mega hype que a gente comprou. Ovo mexido sem sal misturado com o molho de tomate que sobrou do macarrao da janta (nao foi a melhor das ideias....) e mini croissants.
Bom, primeiro dia de shows, um alivio pra quem ja tava acampando desde a quarta-feira e tava confinado na vila do camping (muito legal com dj's filmes e tudo, mas enche o saco uma hora...).
Simbora pra Arena. Arena legal, enoooooorma, 2 palcos gigantes e 2 tendas menorezinhas. Sombra zero.
Bora pra frente pra ja esperar pelos shows (isso as 11h30, o 1o show era 1 e pouco). primeira surpresa boa: ingles nao se aglomera mil horas antes pra ver o show (so o povo da grade), entao da pra chegar na frente tranquilamente. E a cada show o pessoal sai e volta na boa, sem aperto e empurra-empurra.
Hollywood Undead. Nunca ouvi falar. Comeca o show. Carinhas de mascara pulando pelo palco. Opa, eu conheco essa musica! Tocam outra. Opa, eu conheco essa tambem! No fim das contas era mais uma das (milhares)bandas que eu gosto e nao tinha ideia do nome. Segundo a Wikipedia eles tocam 'rap-rock', tambem conhecido com New Metal no fim doa anos 90 - Alou, Limp Bizkit?
Muito foda ja comecei dancando. Tava mega quente e na terceira musica os caras ja tinham tirado mascara, tenis e um que se aventurou no meio da galera (literalmente! muuuito irado) perdeu a camisa e ficou so de bermuda no fim das contas.
O povo adorou, eles fizeram um puta show e todo mundo ficou com uma sensacao de 'o dia promete' quando o show acabou.
15 minutos depois comeca The Blackout, uma banda do Pais de Gales de screamo/emocore. Bem legal pra alguem que gosta do genero (tipo eu). As musicas eram bem boladas e pesadas o suficiente pra justificar os caras tocarem no palco principal, mas a impressao era que eles nao tinham musica suficiente pros 40 minutos de show e ficavam enrolando fazendo piadinhas e tocando um medley sofrivel das bandas que estavam por vir.
14h40 e todo mundo para. Entra o vocalista e a plateia comeca a gritar e bater palmas. Ele ta com cara de poucos amigos. Mas mesmo assim todo mundo vibra quando o Staind comeca a tocar. Musicas FODAS, banda impecavel. Publico meio xoxo...uma pena, porque no show que eu fui no comeco do ano o publico fez toda a diferenca. Pessoal perto de mim meio que so assistia....e olha que eu tava bem pra frente...
E quando parecia que tava engrenando o show acabou e eles foram embora...
Fiquei muito puta e confusa sem entender porque uma banda como Staind so tocou 40 minutos e antes de outras bandas bem menos famosas e respeitadas.
Fazer o que...fica a memoria do show no comeco do ano, num lugar bem menor e com duracao de 1 hora e meia.
Depois disso hora de passear, dar uma olhada em Dir En Grey, banda japonesa de metal descoberta pelo Korn e que faz mega sucesso por aqui e pelos EUA. Bizarro, esquisito, interessante. Voltamos pro palco principal pra ver o finzinho de KillSwitch Engage (mal conhecia, mas aparentemente eles sao MEGA famosos aqui).
17h45 e entra o DJ Lethal no palco. Depois disso vem Wes Borland comprovando que eles tao de volta e o publico vai abaixo quando o Fred Durst (de bone vermelho, claro) pisa no palco. O Wes ta pintado dos pes a cabeca, dando um clima de velhos tempos e os caras tocam como se nao houvesse amanha. Cada musica e acompanhada da voz da galera e punhos no ar e o melhor de tudo e que da pra dancar! O show ta lotado e eu nao estou sendo esmagada! Tudo bem que tem varias cabecas na minha frente e eu tenho que ficar me mexendo pra ver os caras no palco, mas nada disso estraga o quao foda e ver o Limp Bizkit completo tocando todas as musicas que todo mundo ama. Com direito a coreografia em Rollin' e tudo. Rolou ate um 'everybody sit down' a la Slipknot no fim.
o meio do show o Monkey entra no palco e abraca o Fred Durst, o que leva a um agardecimento ao korn, falando que sem eles o Limp Bizkit nunca estaria ali e tal...so pra aumentar a ansiedade em relacao a proxima banda...
Mas os caras mais felizes, sem duvida, foram os dois escolhidos a dedo pelo Fred Durst pra subir no palco (um deles de bone vermelho e camisa preta, parecendo irmao) e cantar com eles. Acho que os caras gozaram facil naquela hora.
Acabou Limp Bizkit, beleza. Adrenalina ate nao poder mais e a antecipacao que nao me deixava ficar quieta....
Desce a bandeira em que se le 'KORN'. Fudeu, eu penso. Medo. Vai ser ruim. Primeiro o Head e agora o David Silveria. Sem contar que pelos ultimos cds lancados o Jonathan Davis tava cantando que nem uma gralha rouca. Entra o Monkey com uma maquiagem escrota. Entra o Fieldy (ufa, nada de chapinha, ele ta de trancas). Entra o Jonathan Davis. De kilt preto. E meias ate o joelho. Yessssssssssssss. ta ficando bom.
Eles comecam a tocar e...e FODA. Tudo. Perfeito. Os riffs de guitarra, o baixo (ta, o baterista nao e tao bom, mas ele segura) e a voz dele. A VOZ DELE ESTA DE VOLTA. Sem exageros, sem mentiras. O cara consegue cantar de novo. Tudo bem, pode nao ser exatamente o timbre de 16 anos atras, mas funciona e o agudo sai perfeito, o gutural sai perfeito, ele corre pra cima e pra baixo e faz um PUTA show.
Rolou ate um solinho de gaita de fole, que eu pensei que ia levar a Shoots and Ladders, mas infelizmenet nao foi o caso.
Eu tinha pra mim que depois da saida do Head e do Jonathan Davis virar um porquinho eu nunca mais ia poder ver Korn de maneira decente. Pensava em quando eles foram a Sao paulo e eu fiquei no Rio vendo Roger Waters pela primeira vez.
E depois de milhoes de anos eles dao a volta e fazem um show sensacional pra todos os fas, que nao paravam de pular e cantar junto e gritar. E ainda tocam Pink Floyd! hahahahahahahaha, and it comes full circle!
Cara, foi indescritivel. As minahs palavras nem comecam a expressar oq ue foi esse show, nem a sensacao que eu sinto agora, 1 semana depois, me lembrando e querendo muito muito muito voltar praquele momento.
Eu nao conseguia parar de sorrir. Tava tudo muito bom. Eu nao conseguia acreditar quem tava na minha frente e quem tinha estado durante o dia todo.
E ainda tinha mais pra vir. A reuniao do seculo (ou pelo menos da decada).
A essa altura ninguem mais tinha voz ou pes. Tudo doia, incluindo minha perna, que estava quase em carne viva por causa da calca nova q eu tinha comprado e tava dancando dentro o dia todo.
Mas vamo la. Tem mais uma ainda. Montam cortina vermelha, meio teatro de fantoche. Entra o guitarrista. O tecladista. E de repente na nossa frente aparece o Mike Patton, de terno e bengala, meio q mancando e comeca a primeira piada. A primeira musca e Reunited - aquela que vai 'reunited and it fells so good...'. Perfeito!
Depois ele joga a bengala e comeca o show. Foda, sensacional, cara Faith No More na minha frente!! Inacreditavel. Ele fica o tempo todo reclamando que o publico ta meio morto, mas cara, nego ta la ha 10 horas em pe, cantando com todas as outras bandas, e obvio que ta todo mundo morto. Mas ta todo mundo LA. E e isso que importa. Nego podia muito bem ir embora de volta pra barraca, mas nao. Ta geral la, cansado, com frio vendo o show dos caras. A maioria ta ate cantando, mas ninguem mais tem alcance de voz pra cantar junto. A gente compensa nas palmas.
Como bons fdp q eles sao, a cada musica agitada que eles tocam eles tocam uma lentinha pra fuder o ritmo da galera. Durante Easy rola um Mike Patton se enrolando na cortina vermelha gigante o que geral gargalhadas gerais.
O clime e esse, de bom humor, empolgacao e felicidade suprema de estar diante de uma das maiores bandas de rock que decidiu voltar e voce ta ali, sendo parte da experiencia.
Eu fiquei bem feliz de me tocar que eu conhecia a maioria das musicas, o que nao era regra em meio ao publico.
Depois do show teve a loooonga volta pro camping, contando a minha perna machucada e meus pes mortos de ficar, o que naquela altura ja eram 12 horas, em cima de botas deu quase 1 hora. Obviamente tem de se levar em consideracao as 70 mil pessoas saindo da Arena e andando lentamente.
Chegamos na Vila do Camping, fui cercada pelos pelados (e a pelada), so pra ter a ultima risada do dia e fui direto pra barraca, jantar macarrao e dormir, exausta e feliz, que nem uma crianca em noite de natal, agradecendo pelo dia mais foda possivel com a pessoa mais foda possivel do meu lado.
O dia 2 fica pra um outro post porque agora eu to e com fome...
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